Audiência na Câmara discute nova Lei de Zoneamento e outorga onerosa do direito de construir em São Luís

Contexto da Nova Lei de Zoneamento

A Câmara Municipal de São Luís promoveu uma audiência pública na manhã de 22 de abril de 2026, com o objetivo de discutir o Projeto de Lei Nº 076/2026, que trata da outorga onerosa do direito de construir, além do Projeto de Lei Nº 077/2026, que visa estabelecer a nova Lei de Zoneamento, Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo. Ambas as propostas foram apresentadas pelo Executivo municipal e começaram a tramitar no dia 27 de março.

Esses novos dispositivos são essenciais para definir diretrizes que regularão a ocupação do espaço urbano, seguindo a recentemente aprovada Plano Diretor da capital, que estabeleceu normas gerais sobre o tema. De acordo com a secretária municipal de Urbanismo e Habitação, Erica Garreto, as propostas foram construídas a partir de um extenso diálogo com a sociedade civil, promovido pelo Conselho Municipal da Cidade (CONCID), que contou com mais de 50 reuniões.

Principais Mudanças na Legislação

A nova “Lei de Zoneamento”, prevista no Projeto de Lei Nº 077/2026, categoriza a cidade em diversas “zonas”, cada uma com suas regras específicas sobre uso e ocupação do solo, assim como sobre o parcelamento de terrenos. Patricia Trinta, presidente do Instituto da Cidade, Pesquisa e Planejamento Urbano e Rural (INCID), destacou que a necessidade de uma atualização da legislação se deve aos desafios urbanos modernos, uma vez que a lei existente remonta a 1992.

nova Lei de Zoneamento

“Estabelecer regras claras é fundamental para a qualidade de vida na cidade. Através delas, criamos estratégias para enfrentar desafios como áreas superpovoadas e outras que estão passando por esvaziamento. Questões relacionadas à mobilidade também são parte dessa requalificação, pois melhorar os espaços significa reduzir a necessidade de deslocamentos”, ponderou.

A Importância da Outorga Onerosa

O Projeto de Lei Nº 076/2026 aborda a outorga onerosa do direito de construir, que é um mecanismo que permite à Prefeitura conceder autorizações a construtoras para que elas construam acima do coeficiente de aproveitamento básico, mediante o pagamento de uma contrapartida financeira. Esta contrapartida deve ser aplicada em projetos sociais, e a alteração dos valores deve ser efetuada num prazo de três anos após a aprovação da lei.

“Os pagamentos podem ser destinados diretamente aos cofres municipais ou aplicados em obras e serviços designados pela SEMURH [Secretaria Municipal de Urbanismo e Habitação]. O projeto inclui isenções para determinados setores, como creches e hospitais, além de definir regras para o uso dos recursos destinados a áreas de interesse comum”, detalhou.

Impactos na Urbanização de São Luís

A nova legislação promete influenciar significativamente o desenvolvimento urbano da cidade. Durante a audiência, os vereadores levantaram diversas questões e apresentaram críticas aos projetos. O vereador Cléber Filho (MDB) expressou preocupações sobre a manutenção de investimentos na Zona Dois do Distrito Industrial, alertando para inseguranças legais decorrentes da caducidade da legislação.



Por sua vez, o co-vereador Enir Ribeiro (PT) destacou a necessidade de um “cinturão verde” na Zona Industrial, enfatizando a importância de uma floresta na área para melhorar a qualidade do ar e beneficiar comunidades rurais adjacentes. As discussões culminaram em questões sobre a destinação dos recursos arrecadados em áreas específicas para o benefício da população local e a urgência pela reocupação do Centro Histórico.

Participação da Sociedade Civil

Os representantes do governo, entre eles a secretária Erica Garreto e a presidente do INCID, Patrícia Trinta, reafirmaram o compromisso com a participação da sociedade civil na elaboração das novas legislações. Essa abordagem colaborativa é vista como uma forma de garantir que as novas regras reflitam as necessidades e expectativas da população, promovendo uma urbanização mais inclusiva e sustentável.

Críticas dos Parlamentares

Dentre as críticas apresentadas, alguns parlamentares enfatizaram a importância de assegurar que as arrecadações oriundas das outorgas onerosa sejam reinvestidas em projetos que realmente atenda às necessidades da população, apontando a falta de garantias nessa estratégia. Esses debates revelam um sentimento de urgência em garantir que a nova legislação não seja apenas um instrumento de geração de receita para o município, mas sim uma ferramenta que favoreça a qualidade de vida em São Luís.

Desafios da Implementação da Lei

A implementação da nova Lei de Zoneamento e da outorga onerosa do direito de construir enfrenta uma série de desafios. Um deles é a necessidade de clareza nas regras que serão adotadas, de forma que tanto empreendedores quanto a população compreendam e se adaptem a elas. Além disso, existe o desafio da fiscalização, garantindo que as normas sejam cumpridas, evitando irregularidades que possam surgir.

Perspectivas Futuras para a Cidade

Olhar para o futuro é essencial ao considerar o impacto das novas legislações. Os vereadores, como Pavão Filho (PSB), ressaltaram a importância de garantir a qualidade de vida da população, argumentando que a atualização das leis deve ser direcionada a atender as necessidades emergentes e evolutivas da cidade. Portanto, a nova legislação não serve apenas para regulamentar, mas também para estabelecer um padrão para o desenvolvimento urbano sustentável.

O Papel do Urbanismo e Meio Ambiente

Urbanismo e meio ambiente são inseparáveis na esfera pública atual. A nova Lei de Zoneamento deve incorporar diretrizes que considerem a preservação ambiental e a promoção de espaços verdes nas áreas urbanas. A introdução e o fortalecimento de iniciativas voltadas à sustentabilidade são essenciais, especialmente considerando os desafios que o crescimento urbano impõe.

Como a Nova Lei Alcança a Comunidade

A nova legislação buscará impactar positivamente a vida da comunidade. Com diretrizes para ocupação do solo mais claras e acessíveis, espera-se que os cidadãos possam não apenas compreender suas prerrogativas e obrigações, mas também participar ativamente na proposição de melhorias e no desenvolvimento de um ambiente urbano que atenda às suas necessidades e aspirações. A promoção de um diálogo contínuo entre governo e sociedade é fundamental para o sucesso das novas regras.