Centro Histórico de São Luís, patrimônio da Unesco, tem 87 casarões sob risco de desabamento

O que está acontecendo com os casarões?

No Centro Histórico de São Luís, patrimônio reconhecido pela UNESCO, a situação dos casarões históricos é alarmante. De acordo com as últimas avaliações da Defesa Civil, 87 dessas construções enfrentam um risco crítico de desabamento. Este cenário é resultado de anos de falta de manutenção, somado à ações climáticas adversas, como chuvas intensas e altas temperaturas, que prejudicam a estrutura dos imóveis.

Os riscos para o Centro Histórico de São Luís

A deterioração dos casarões não afeta apenas as edificações em si, mas também representa um perigo iminente para a segurança dos visitantes e residentes da área. De acordo com as autoridades, a maioria dos imóveis (cerca de 90%) é de propriedade privada; isso traz desafios significativos para sua conservação. Além dos riscos estruturais, esse abandono acarreta consequências que comprometem a imagem da cidade.

A intervenção do Ministério Público Federal

Diante do quadro preocupante, o Ministério Público Federal (MPF) ingressou com 80 ações judiciais para forçar os proprietários a realizarem as reformas necessárias. A atuação do MPF é um reflexo da urgência em evitar que esses casarões, que contam uma parte importante da história de São Luís, desapareçam. Os proprietários, por sua vez, argumentam que os custos de reforma são elevados e requerem aprovações específicas.

Centro Histórico de São Luís

Impacto no turismo e na vida dos moradores

A degradação dos casarões impacta não apenas o turismo, que é essencial para a economia local, mas também a vida dos moradores. Guias turísticos e residentes têm relatado acidentes causados pelo desprendimento de telhas e rebocos. Dandara Ferreira, uma moradora da região, mencionou que já presenciou várias quedas de partes das construções e, em determinadas áreas, ela evita passar devido ao risco de desabamento. Essa resistência dos imóveis históricos altera rotas turísticas, diminuindo assim as oportunidades de negócios na região.

A responsabilidade pela conservação do patrimônio

Segundo a legislação, a responsabilidade pela conservação dos casarões tombados é principalmente dos proprietários. No entanto, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) é responsável pela fiscalização e orientação técnica das obras. No entanto, a dificuldade em responsabilizar os proprietários pela falta de manutenção complicou a situação, uma vez que muitos dos imóveis em risco são de uso privado.



Políticas públicas: o que está sendo feito?

O Governo do Maranhão anunciou um pacote de revitalização de 22 casarões, com um financiamento que envolve recursos do Governo Federal. Contudo, essa iniciativa não inclui os imóveis em estado mais crítico, segundo a Defesa Civil. A falta de um plano integrado que contemple a totalidade dos casarões, independentemente da titularidade, levanta questionamentos sobre a real eficácia das políticas públicas direcionadas à preservação do patrimônio histórico.

O papel do Iphan na conservação dos casarões

O Iphan tem desempenhado um papel crucial na preservação dos imóveis históricos, mas enfrenta desafios significativos devido à gestão de propriedades privadas. Eles trabalham em colaboração com o MPF e também com a Defesa Civil para mapear o estado dos casarões e tentar implementar políticas que façam valer a conservação. O foco nas unidades mais ameaçadas é prioritário, mas as restrições orçamentárias e a burocracia dificultam a velocidade dessas intervenções.

Testemunhos de moradores sobre a deterioração

A deterioração dos casarões é uma preocupação constante para os moradores da região. Muitos relatam que o abandono dos imóveis tem gerado” medos e incertezas” na comunidade. O multiartista Rob Falcão, que reside na localidade, expressou desalento ao testemunhar o estado de abandono. Segundo ele, muitos imóveis ainda poderiam ser habitados, mas a falta de cuidados os está destruindo.

Desafios financeiros para a reforma dos casarões

Os desafios financeiros para reformar esses casarões são imensos. Os gastos não apenas superam os de uma reforma comum, mas também incluem a necessidade de projetos especializados, o que levanta a necessidade de aprovações por parte do Iphan. Francisco Neto, proprietário de dois casarões na área, ressaltou que a preparação para reforma gera uma série de despesas iniciais com levantamento e consultorias, refletindo a complexidade do processo.

Caminhos para a revitalização do Centro Histórico

Para revitalizar o Centro Histórico, é essencial que haja um plano que integre ações públicas e privadas. Isso poderia incluir incentivos financeiros para os proprietários, a implementação de uma política de ocupação dos espaços públicos e medidas que promovam um engajamento mais forte do turismo. Um investimento consciente na preservação pode não apenas resgatar a beleza e a segurança da região, mas também reativar a economia local, beneficiando todos os habitantes de São Luís.