DPE/MA ajuíza Ação Civil Pública para regularizar UTIs pediátricas do Hospital da Criança em São Luís

Contexto da Ação Civil Pública

A Defensoria Pública do Estado do Maranhão (DPE/MA) assumiu uma postura proativa ao ingressar com uma Ação Civil Pública (ACP) contra a Prefeitura de São Luís e o Instituto Brasileiro de Serviços Médicos (IBMED). Essa iniciativa surgiu como resposta às dificuldades críticas enfrentadas nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) Pediátricas do Hospital Municipal da Criança Dr. Odorico Amaral de Matos, evidenciadas por um quadro alarmante na prestação dos serviços de saúde. A ação, coordenada pelo defensor público Davi Veras, é de natureza emergencial, visando não apenas a regularização imediata dos leitos, mas também evitando a ocorrência de óbitos que poderiam ser prevenidos por falhas na assistência.

O Papel da Defensoria Pública

O papel da DPE/MA é fundamental para assegurar os direitos das crianças e adolescentes no estado. A atuação diligente da Defensoria se inicia com a vigilância sobre os processos licitatórios que regulamentam os serviços de saúde. Desde já, em julho de 2025, a Defensoria começou a monitorar a situação, identificando inconsistências significativas nas propostas licitatórias, especialmente no que tange ao dimensionamento de equipes médicas e a qualificação dos profissionais envolvidos. Em adição, recomendações foram formalmente apresentadas ao município e a outros órgãos competentes, diante da iminente necessidade de retificação nos procedimentos administrativos.

Critérios de Atuação nas UTIs Pediátricas

As UTIs Pediátricas exigem um funcionamento exemplar, considerando a fragilidade e a necessidade especial dos pacientes que nelas se encontram. É imperativo que os profissionais que atuam nesses serviços sejam altamente qualificados, com especializações adequadas em pediatria e terapia intensiva. Diante disso, a DPE/MA manifestou preocupação com a possibilidade de contratação de médicos não especializados para tais funções, colocando em risco a integridade da assistência oferecida. A defesa do direito à saúde, conforme preveem as normas jurídicas e as diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS), impõe que a gestão municipal cumpra com responsabilidade seu compromisso perante a saúde pública.

UTIs pediátricas

Desafios na Prestação de Serviços de Saúde

Um dos desafios mais prementes na atualidade reside na insuficiência de leitos e na superlotação nas UTIs, que já se encontravam com a totalidade de seus leitos ocupados em julho de 2026, colocando as crianças em espera em setores de estabilização. A inspeção feita pela Defensoria revelou uma total carência de equipes adequadas, com um número alarmante de médicos plantonistas diminuído em relação ao necessário. Também foram registradas queixas sobre a escassez de medicamentos essenciais dentro da unidade, além da insatisfação de usuários e familiares que relataram a falta de atendimento adequado.



Impacto das Denúncias na Gestão Pública

A gravidade das denúncias, aliada à frequente superlotação das UTIs e à falta de insumos, gerou um clima de emergência em relação à saúde infantil. A gestão pública, ao não responder adequadamente às exigências da Defensoria e à crise emergente, corre o risco de comprometer ainda mais a saúde das crianças sob sua responsabilidade. O descumprimento das normas da Anvisa e dos parâmetros do Conselho Federal de Medicina (CFM) reforça a necessidade de uma abordagem mais rígida e estruturada para a prestação deste serviço vital.

Recomendações de Melhoria para os UTIs

Com o intuito de reverter a atual situação, a DPE/MA formulou recomendações específicas, incluindo a necessidade de uma audiência emergencial para discutir a situação com todos os envolvidos, como representantes do município, do IBMED e dos órgãos de fiscalização pertinentes. Adicionalmente, um plano de ação emergencial deve ser desenhado em um prazo de 72 horas, apresentando soluções concretas para os problemas operacionais observados e a garantia de condições adequadas de atendimento nas UTIs.

Importância do Monitoramento Institucional

A importância de um acompanhamento contínuo e rigoroso por parte da Defensoria Pública é essencial para assegurar que as mudanças propostas sejam implementadas e respeitadas. Este monitoramento não deve se limitar apenas ao cenário atual, mas se estender para garantir um futuro mais seguro e eficiente no tratamento pediátrico. A capacitação constante dos profissionais e a adequação das estruturas de atendimento são fundamentais para evitar novas crises e garantir a saúde das crianças em situações críticas.

Garantias para os Pacientes e Famílias

Para os pacientes e suas famílias, as garantias de um atendimento de qualidade e a disponibilidade de leitos adequados são primordiais. A segurança dos procedimentos realizados em UTIs deve ser assegurada em todos os níveis, com atenção à formação e especialização dos profissionais de saúde. É dever da gestão pública garantir que todos os direitos das crianças sejam respeitados e que a saúde de cada paciente seja a prioridade número um dos serviços de saúde.

A Observância das Normas da Anvisa

A adesão às regulamentações estabelecidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) é um requisito essencial para a operação das UTIs. As normas da Anvisa não são meramente burocráticas, mas constituem um alicerce para a segurança e eficiência nos serviços de saúde. O descumprimento dessas normas pode acarretar consequências severas, não apenas para a gestão hospitalar, mas, principalmente, para a saúde e a vida das crianças internadas.

Futuras Intervenções Necessárias pela Prefeitura

Visando garantir que a situação das UTIs pediátricas em São Luís não apenas se normalize, mas que se fortaleça no sentido de evitar futuras crises, são necessárias intervenções significativas por parte da prefeitura. Isso inclui o fortalecimento de parcerias com instituições acadêmicas para capacitar novos profissionais, a sustentabilidade nos processos de licitação que garantam a qualidade dos serviços prestados, e uma abordagem mais proativa na gestão e fiscalização dos serviços de saúde. A Defensoria Pública se posiciona como aliada nesse processo, pronta para continuar monitorando e assegurando o direito à saúde de todas as crianças sob seus cuidados.